quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A roçar a psicose

Tenho vindo a notar, pelo que tenho vindo a sentir nas últimas semanas e pelos muitos anos de observação de mães, a minha, a dela e mil outras que me rodeiam, que entre ser mãe e ser psicótica a fronteira é mais ténue do que a do azul esverdeado para o verde azulado.
A quantidade de preocupações que nos assolam no momento mais inesperado do dia, ou da noite - mil pesadelos e sonhos sinistros que tenho tido, a quantidade de coisas horríveis que podem acontecer, que estou sempre a ver no canal odisseia e não consigo parar de pensar nelas, o corpo que teima em não mostrar os progressos naturais indicadores de que a coisa está a correr pela normalidade; a barriga que não se apresenta, as mamas que não se mostram insolentes etc, etc - , é avassaladora. E isto tudo passa por mim sem eu nunca ter planeado engravidar! Meu Deus!, não consigo sequer imaginar então a ansiedade de quem já o tentava e desejava há muito.
A minha, saudável? :), psicose maternal começou às 6 semanas de gravidez, quando a descobri; vive-se agora às 10 semanas, muito centradinha na angústia da eco das 12 e na translucência da nuca, na quantidade certa de pés, mãos, bracinhos e perninhas; e, imagino que terminará apenas no leito da minha morte, como a de todas as outras mães do mundo, mesmo aquelas com filhos de 60 anos :|

0 comentários: