quinta-feira, 30 de novembro de 2006

17 semanas


Tradicionalmente não gosto de fotografias a cortar a cabeça e muito menos destas fotografias típicas de grávida, que nos fazem parecer todas iguais. Mas bom, serve para ilustrar este post.

Hoje ouvi isto de um colega aqui da chafarica:

- "xiiiiiiiiiii, tás bué grávida"!!

É mau, mas ainda assim preferível ao mui típico das mulheres:

- "AHH! 'Tás enorme"!!

Gordo, muito gordo


O creme que eu comprei, para esplanadar pela barriga afora, na esperança de (mais uma vez dizem-me que é demasiado cedo, *suspiros*) não me encher estrias; sabem quanto tempo demoro a espalhar aquilo? imaginam o quanto tenho que descansar depois?? 
Meu Deus! É uma trabalheira dos infernos! Fica tudo colado nos dedos!
Aproveito o esforço e ponho tb nas pernas, nos cotovelos etc , já que a minha pele é muito seca, mas aquilo é bom; ponho pela manhã e à tardinha ainda estou muito lustrosa.
Aproveito então o entusiasmo e volto a por à noite - serei a tipinha mais hidratada do bairro :)

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Depois do almoço

Eu sempre muito sentadinha, e a ouvir Cat Power, ela(?) a mexer-se sempre muito, muito :')
Ainda é muito cedo para sentir - é o que me dizem sempre, e que são gases e o diabo a sete: Lérias!!

Cigarros e Gravidez

Antes de engravidar e apesar de ser fumadora, sempre "cantei de galo" em relação às grávidas que fumavam. Achava sinistro. Ainda acho.
Dizia que quando fosse comigo, bastar-me-ia o estímulo de saber que tinha um bebé na barriga para imediatamente deixar de fumar.

É claro que não é assim tão fácil e devia ter estado calada.

Quando não enjoamos o fumo nem nada, é muito complicado deixar de fumar de repente. Reduzi de 20 para 6 cigarros mas o meu objectivo é deixar de fumar a partir de Janeiro, uma new year resolution com um extra que é o facto de me preocupar com a saúde do meu bebé.
Socialmente falando, fumar quando já se tem barriga é das coisas mais politicamente incorrectas que se pode fazer. Somos olhadas de lado e até na taberna que há ao pé de minha casa e onde compro cigarros, daqueles sítios onde se entra e se fica embriagado com o cheiro a vinho e que não vende uma bica porque não tem café, até aí o taberneiro se sentiu no direito de dizer:
- " A menina não devia fumar"!

Pois não, eu sei. Mas dispenso o julgamento alheio. Já basta o tempo que eu passo a auto-julgar-me.

(Eu antes de engravidar - imagem retirada de BrunoEspadana.com)

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Buzinadelas

E mais buzinões! É o que oiço constantemente na rua, porque devo ser a única condutora de um veículo de todo-o-terreno que trava nas aproximações às lombas e buracos :)

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Pobrezinhos


Aqui todos amarrotados num pequeno balde transparente.
Ok, ok, lembra vagamente a posição uterina etc etc, mas será assim realmente tão prático? A mim, sinceramente, faz-me muita peninha vê-los ali dentro, nem sequer consigo imaginar que as minhas mãos caibam ali para o poder esfregar com destreza, e nem com o tradicional pato de borracha podem brincar :|
Dar banho a um recém-nascido é sem dúvida alguma a tarefa que mais temo, e qualquer coisa que a facilite será bem vinda, mas isto? hummmm

Transportar o bebé - Preciso de me doutorar?


Agora que ainda me consigo deslocar (com dificuldades é certo) aproveito para começar a tratar de toda a logística que um bebé implica.
Ontem dediquei-me à prospecção de mercado no que respeita a carrinhos de bebé.
Ainda estou a recuperar do choque. Não sei distinguir um ovo de uma cadeirinha. Desculpem, ovinho porque nestas lojas tudo é tratado com "inho" no fim. Eu com a minha barriga imponente perguntava à funcionária:
- Isto é um ovo ou uma alcofa?
- Isto é uma alcofinha, que depois assenta no chassis, para o bebé quando é pequenino. Passado 3 mesinhos, passa para o ovinho e depois para a cadeirinha.
O precinho de tudo isto é que é assustador, sobretudo se tivermos em conta que cada itemzinho dura 3 meses.
Descobri também que este sistema do chassis + ovinho + alcofinha + cadeirinha não é muito intuitivo:

- Este modelo precisa de redutores e este precisa de um kit de adaptação (diz-me ela, entendida).

Senti-me numa loja de tunning. Levei o catálogo para estudar em casa.
No tempo em que os meus pais foram pais andávamos todos sem cintos de segurança, em alcofas, ao colo...não era este inferno logístico !

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Instinto Maternal

Esta noite sonhei que já tinha tido o bebé. Era um rapaz, que quando nasceu parecia já ter 5 meses, ruivo e sardento, o que é esquisito tendo em conta que ninguém na minha família ou na do pai é ruivo.

Foi incrivelmente real, tal como todos os sonhos que tenho tido desde que estou grávida e por momentos, quando acordei, estava à espera de ter ali um berço ao lado. Mas não. Ainda falta muito tempo.

Dizem os mais velhos que as grávidas sonham muito e é verdade. Deviam era escrever isso naqueles manuais e enciclopédias de gravidez porque os sonhos tornam-se de facto muito reais.

Estou de 4 meses e algo impaciente.

(imagem retirada de Everyday People Cartoons)

Voltei

Aos comprimidos do enjoo. Isto é horrível.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

O que não dizer a uma grávida


Tenho passado bem a minha gravidez, não enjoo, não tenho de estar de repouso, enfim, não me posso queixar. No entanto, devido ao desproporcional tamanho da minha barriga face à minha altura e em relação ao tempo com que estou (4 meses) sofro muito com dores nas costas.

Sobre isto já ouvi (como é óbvio) as piores coisas. Aliás é uma característica muito feminina a de se dizer coisas negativas sobre gravidez e partos a quem está à espera de bebé.

- Estás de 3 meses e meio? ah..eu tive um aborto horrível aos 4 meses de gravidez...
(Esta passou-se num jantar e eu não conhecia a pessoa em causa).

O mais curioso é que, apesar de dizerem que as mulheres grávidas ficam mais sensíveis, estou em crer que ao ouvirmos este tipo de histórias sinistras ao longo de nove meses (e a ordem destes comentários é: até ao 5º mês falam-nos de abortos e daí para a frente contam-nos partos sangrentos e dignos do séc. XI) vamos criando uma carapaça, caso contrário, se nos deixássemos impressionar pelas histórias que nos vão relatando, não dormíamos e pior que isso, vivíamos num estado de medo constante, maior ainda do que aquele que naturalmente já sentimos.

(imagem retirada de Everyday People Cartoons)

É oficial


Esta condição de grávida, agora, com a entrada no segundo trimestre e o desmame dos comprimidos do enjoo (que comecei hoje, pelo que estou assim, meio monga)
Os resultados dos exames fizeram descer as minhas preocupações dos trezentos mil e quinhentos por cento para trezentos mil quatrocentos e noventa e nove; deixando-me um tempinho livre para pensar em coisinhas mais práticas, para começar a viver a gravidez com a plenitude que merece e para sair deste estado atónito que me tem definido nos últimos tempos.

AH! E parece que é uma menina :)




(imagem retirada de Everyday People Cartoons)

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

O que se diz por aí..


Quando engravidamos, é curioso o nº de pessoas que não nos conhece e que de um dia para o outro se sente à vontade para nos dar uma palavrinha. Uma barriga de grávida aproxima as pessoas, suscita sorrisos meigos e diálogos com desconhecidos:

- "De certeza que é um menino porque se fosse menina já estaria com o nariz muito largo e os beiços mais grossos."

- "É menina porque está com a barriga espalhada para os lados".

- "O importante é que venha com saúde e perfeitinho".

- "Que tenha uma hora pequenina" !

Estar grávida é, por si só, um assunto, quase um desbloqueador de conversas em que toda a gente se sente bem a opinar e a dar um palpite.
Se por um lado esta sensação de ser o centro das atenções pode saber bem, por outro, nem sempre estamos com vontade de partilhar qual a marca do creme anti -estrias que utilizamos ou se vamos optar por um hospital público ou privado.
Não quero com isto dizer que as opiniões das pessoas não são importantes, mas às vezes apetecia-me estar sossegada no meu canto. Eu e a minha barriga.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Chatas, nós?

É o que dizem das grávidas, que são chatas, que não sabem falar de outra coisa para além das crianças, compras, e descrições escatológicas de funções viscerais e completamente dispensáveis do conhecimento público. Esquecem-se, porém, que sempre que nos abordam este é o primeiro, e único?, assunto que nos puxam. É quase como se nós, como individuos, deixássemos de existir.
É uma cabala!!
Há toda uma conspiração universal, da genética ao social, que não nos permite ter vida para além disto.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Ao rubro

É o que está o meu instinto de ninho, sim! sim!, afinal existe!, e está bem vivo dentro de mim. São estranhíssimos impulsos de arrumação e organização - algo que nunca tive na vida.
Felizmente não é nada que corra o risco de se tornar obcessivo-compulsivo, porque exausto-me só de pensar em qualquer tarefinha, por mais simplória que seja. É exasperante. Uf.
Ando assim: muito cansada e enjoadinha.
Contudo, este fim-de-semana, arrumei a arrecadação :)

"Sabe, é a selecção natural"...

Ontem devido a fortes dores abdominais, entrei no Hospital de Santa Maria às 21.30. Na ala da Obstetrícia, uma enfermeira mandou-me deitar numa maca e esperar, porque os médicos tinham ido jantar há 20 minutos. Com certeza, eu espero...
10 minutos mais tarde:
(enfermeira) - Então querida? Está muito aflita? Quer que eu ligue aos médicos, é só porque eles foram jantar há tão pouco tempo.
(eu) - Eu não quero interromper o jantar a ninguém, mas estou com dores e estou preocupada, por isso se lhes pudesse ligar..
(enf) - Sabe, isso que está a ter devem ser contracções, pode acontecer....é a ordem natural das coias...há bebés que sobrevivem e outros que não. É o primeiro filho? (sim, respondi)... (ela dá um estalinho com a língua) Pois, primeiro filho...isso às vezes é mesmo a selecção natural, se estiver com contracções pode não ser nada como pode ser um aborto.

Eu pergunto, quem é que dá formação a estas pessoas? Esta enfermeira era até uma pessoa meiga e atenciosa e apesar de cientificamente correcta, ela não pode falar em aborto a uma mulher grávida de quase 4 meses, que está com dores e que quer ter o bebé. Há outras forma de preparar as pessoas para o pior.
Quandos os médicos vieram do jantar, fizeram-me uma ecografia, onde pude ver perfeitamente o bebé, a mexer os braços e com o coração a bater. Parecia que me tinham tirado um peso de cima.
Felizmente que não era nada, são apenas dores abdominais decorrentes do crescimento do útero ou uma possível infecção urinária cujo resultado só está pronto no final desta semana.
À meia noite saímos do hospital.
Assim vai a saúde em Portugal.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A roçar a psicose

Tenho vindo a notar, pelo que tenho vindo a sentir nas últimas semanas e pelos muitos anos de observação de mães, a minha, a dela e mil outras que me rodeiam, que entre ser mãe e ser psicótica a fronteira é mais ténue do que a do azul esverdeado para o verde azulado.
A quantidade de preocupações que nos assolam no momento mais inesperado do dia, ou da noite - mil pesadelos e sonhos sinistros que tenho tido, a quantidade de coisas horríveis que podem acontecer, que estou sempre a ver no canal odisseia e não consigo parar de pensar nelas, o corpo que teima em não mostrar os progressos naturais indicadores de que a coisa está a correr pela normalidade; a barriga que não se apresenta, as mamas que não se mostram insolentes etc, etc - , é avassaladora. E isto tudo passa por mim sem eu nunca ter planeado engravidar! Meu Deus!, não consigo sequer imaginar então a ansiedade de quem já o tentava e desejava há muito.
A minha, saudável? :), psicose maternal começou às 6 semanas de gravidez, quando a descobri; vive-se agora às 10 semanas, muito centradinha na angústia da eco das 12 e na translucência da nuca, na quantidade certa de pés, mãos, bracinhos e perninhas; e, imagino que terminará apenas no leito da minha morte, como a de todas as outras mães do mundo, mesmo aquelas com filhos de 60 anos :|

O início

Ao contrário do que o senso comum afirma, a gravidez não é um mar de rosas. Eu particularmente não me sinto um ser especial. Estou igual mas com uma barriga maior e dada a impaciência que me caracteriza, quero é que este tempo passe depressa, porque acho que a piada disto começa com o nascimento. O bebé só nasce daqui a 26 semanas, o que significa que neste 1º post estou de 3 meses e meio, mas aparento estar de cinco.

Este blog é sobre as gravidezes de duas amigas que já andaram de mochila às costas pela Índia e que agora se aventuram a ter um bebé.