Ultimamente os comentários que nos têm deixado geram novos posts o que é bom porque nunca falta assunto nem inspiração.
Na minha última entrada, sobre o cansaço que sentia, a Mafalda de 22 anos comentou:
Eu leio o vosso blog desde o início, e se há coisa que me faz confusão é ficar com a ideia de que os homens estão bastante ausentes, não só no vosso caso mas também nas histórias dos outros blogs para os quais têm links. Com isto não quero dizer que eles estejam emocionalmente ausentes (...) Por favor, digam-me que a divisão das tarefas é 50/50, e que vocês só falam pouco sobre o que eles fazem porque estão a contar o que se passa pela vossa perspectiva, que é portanto "parcial"... É que tenho 22 anos e nunca, mas nunca, me veria a ter uma criança se o pai não fizesse metade do trabalho(...)
O Nuno, meu marido, pai do M. sempre esteve muito presente desde que ele nasceu até agora, quer "emocionalmente" quer "fisicamente". No que me diz respeito, não falo mais dele aqui, porque o blog é a minha perspectiva da maternidade e não a dele e gosto de o preservar.
No entanto, não quero deixar de dizer que a visão da Mafalda é um bocadinho ingénua, ao pensar que as tarefas são divididas 50/50. Isso não é possível, a menos que o pai e a mãe tenham horários semelhantes e trabalhem em áreas/ carreiras parecidas e perto um do outro. Caso contrário, é impraticável. Eu tenho um emprego menos exigente do que o meu marido, o infantário é a 5 minutos do meu local de trabalho pelo que, quando saio, sou eu que vou buscar o bebé (já fui eu a levá-lo) e naturalmente, em casa, se o meu marido só chega por volta das sete e meia, oito horas, eu não posso estar à espera dele para dar de comer ao bebé e dar-lhe banho.
A divisão de tarefas acontece mas de outra forma: ele liberta-me mais ao fim de semana, ajuda-me com as tarefas da casa (pôr roupa a lavar, estender roupa, pôr a mesa e pôr louça na máquina) e de manhã é ele que trata do bebé enquanto eu me arranjo.
Outra coisa que não queria deixar de dizer à outra pessoa que comentou a seguir à Mafalda:
Se eu abdico, nesta fase da vida, que a minha carreira progrida a 100%, espero que o meu companheiro faça o mesmo...
Estou em total desacordo com esta mensagem, por uma simples razão: pensar desta forma só traz ressentimentos futuros entre os dois. Além do mais, se é necessário um abdicar de alguma coisa, convém que outro não abdique para garantir que a vida (financeira) se mantenha saudável.
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