terça-feira, 17 de julho de 2007

Vamos lá ver...

Pelos comentários que recebi no post "Amamentar" fiquei com a sensação que fui mal interpretada por algumas pessoas.
A minha posição em relação à amamentação é o mais favorável possível. O que quis dizer e que foi alvo de algumas extrapolações foi que, quando a amamentação é mais dolorosa fisicamente ou quando as mães fazem disso fundamentalismo não obstante o facto de estarem angustiadas aí sim, não sou favorável e acho melhor recorrer ao biberon.
Eu amamentei durante 3 semanas e quando percebi que o meu bebé ficava com fome e a perder peso de uma forma preocupante, deixando-me numa pilha de nervos resolvi (não muito tranquilamente) introduzir o leite em pó. Quando digo porque se ele lucra com um leite (eventualmente) mais rico e melhor, sublinhando o "eventualmente", refiro-me à minha própria experiência porque se um bebé fica com fome é porque o leite não é bom.
Dito isto, estou de acordo quando dizem que a amamentação é uma escolha pessoal. É. Mas não façamos disso um exagero.
Finalmente, quero dizer que deixei de dar de mamar porque o meu bebé tinha fome e não porque eu queria saír de casa ou ter mais liberdade.

4 comentários:

Cristina disse...

Quando tive o meu filho também lhe dei de mamar e ele ficava com fome. Quando chegou a altura de lhe dar o suplemento a seguir à mama. Caiu-me o Carmo e a Trindade em cima. Já não bastavaq uma mãe andar angustiada porque o filho não pára de chorar. Quando tive, passados 2 anos e meio, a minha filha e ela, de meia em meia hora, estava com fome outra vez, introduzi o suplemento e não me preocupei mais com o assunto. Quando cheguei ao médico já era ponto assente. E sinceramente acho que ela passou muito menos fome que o irmão e é uma bebé (também pela sua própria personalidade) muito mais calma. Estão os 2 óptimos e felizes.
Só enho pena de termos caído no 80.
Antes, quase não se dava de mamar, as licenças de trabalho das nossas mães eram de 1 mês. Hoje, há uma pressão enorme, parecendo que ao não dar ou dar de mamar com suplemento faz de nós piores mães.
Porque é que entre o 8 e 0 80 não ficamos pelo 36, conforme as necessidades. Sem stresses para nenhuma mulher que já tem a grande coragem de ser mãe.

May disse...

Nunca me apercebi desse fundamentalismo que falam no sentido de defender a amamentação, por exemplo, há hospitais em que dão logo biberões aos bebés mal nascem, mesmo que as mães insistam e digam que querem amamentar. No hospital S.Francisco Xavier encontrei toda a espécie de enfermeiros e médicos que aconselhavam a amamentação, mas a maior parte dava informações e conselhos contraditórios acerca da mesma.
Talvez haja pressão sim de familiares, especialmente as avós, as mães, as sogras que querem sempre muito saber se o leite é bom, se a criança está ou não a aumentar de peso, como se fosse culpa da mãe ou se o seu valor dependesse disso, como se fosse pior mãe ou mulher se tiver que dar suplemento.

Acho sim que há poucos apoios, pouca informação, muita coisa contraditória, tanto que 90% das mulheres desistem de amamentar no 1º mês de vida do bebé. O que não deixa de ser uma pena, porque, para além de ser melhor para eles, pode ser também muito mais prático para a mãe.

Noutros países da Europa fomenta-se muito mais a amamentação do que em Portugal. Há imensas campanhas e na Holanda, por exemplo, uma parteira acompanha a recém mamã durante 1 semana em casa a seguir ao parto e ajuda também com a amamentação. Porque ninguém nasce ensinado e é de facto uma aprendizagem.

Se o teu bebé estava com fome, acho que fizeste muito bem.

Não sei é se no teu caso e de outras mães como tu, se tivesses tido outro tipo de apoio, talvez as coisas tivessem sido diferentes. Acho mesmo que nos mandam para casa sem qualquer tipo de preparação para tantas dúvidas e ansiedades que a amamentação provoca e que é de facto muito natural que perante esses problemas e com uma criança a berrar com fome as pessoas acabem por desistir. Agora ninguém deve ser condenada nem por isso, nem por continuar a tentar.

Beijos

luvster disse...

Estive a ler o teu post bem como os comentários, e não me parece que tenhas sido mal interpretada! :P

Mãe do Miguel Afonso disse...

Está visto que esta matéria dá pano para mangas e que não há verdades absolutas sobre o assunto.
É sabido e comprovado cientificamente que o leie materno é o melhor alimento mas nem todas as mães têm leite ou ao tê-lo este é de qualidade.
Eu concordo que há algum fundamentalismo presentemente. O meu bebé durante o primeiro mês chorava imenso antes e depois das mamadas e eu esticava o tempo de mamada ao máximo na busca de o satisfazer. Quando questionava os médicos e enfermeiros se o meu leite seria suficiente para o meu bebé que chorava tanto, parecia que todos tinham feito uma lavagem cerebral e diziam "mãe o seu leitinho é o melhor continue só com ele". Há custa disso o meu filho chorou imenso com o que depois descobri ser fome nua e crua. Quando o pediatra na consulta do mês viu o peso disse para eu não ficar triste porque tinha feito o meu melhor mas que realmente o aumento de peso era mesmo muito abaixo do suficiente.
Só me arrependo de não ter introduzido o suplemento mais cedo.
Agora o meu bebé está prestes a fazer os 3 meses e continua com ambos os leites e é um bebé muito menos chorão e muito mais receptivo a tudo o que o rodeia.

Por isso acho que nunca devemos cair nos extremos, o ideal é só o leite materno mas quando só isso não chega temos que nos render às evidências e não seremos piores mães por isso ... muito pior foi estar a fazer o meu bebé passar fome.