quarta-feira, 25 de março de 2009

Uma entrevista polémica

Nos tempos em que cada vez mais os pais têm medo de dizer não aos filhos, em que os filhos crescem como pequenos ditadores, em que os pais acham que por não cederem às suas vontades vão deixar de ser amados, Aldo Naouri, pediatra líbio lança agora um livro sobre educação.
A entrevista que dá ao Público é bastante polémica, sobretudo porque o jornalista que a conduziu só lhe faltou chamar fascista ao entrevistado.
Trata-se de um discurso de "educar à moda antiga", politicamente incorrecto mas que faz muito sentido nos dias que correm. Concorde-se ou não, vale a pena ler.
Um excerto:
Por isso defende que é preferível educar as crianças de uma forma ditatorial a uma democrática?
Os pais são permissivos porque a ideia da democracia e dos direitos está muito espalhada. Ao criar as crianças de um modo ditatorial e autoritário, estas vão aprender a reprimir. A partir desse momento, compreendem que os outros também existem e, no futuro, serão democratas. Mas, se os criarmos em democracia, como se fossem iguais aos pais, vão crescer centrados sobre si mesmos, vão crescer como fascistas. O que é um fascista? É um indivíduo que pensa que tem todos os direitos.

15 comentários:

Anónimo disse...

Não sei o que isto possa ter de polémico - evidências empíricas sustentadas em argumentos lógicos e um módico de bom senso.

Acho que vou comprar o livro deste gajo.

Baggio disse...

Não faz sentido nenhum.

Alexamaral disse...

É claro que faz todo o sentido... as crianças que fazem tudo o que querem são os típicos mimadinhos, mal educados, que quebram todas as regras e sem respeito pelos limites impostos pela sociedade. Ainda não li a entrevista, mas aplaudo a teoria. Não devemos querer que os nossos filhos se tornem nuns "pequenos ditadores" expressão já commumente usada em situações de mimalhice e permissivismo agudos!

Pimpinelas disse...

De uma maneira geral não concordo nada com este médico. Só faltou dizer que as crianças devem apanhar forte e feio sempre que fazem uma asneira (à maneira antiga, também).

Concordo no aspecto em que as crianças têm de ter regras, disciplina e limites. E obviamente que os pais têm de saber dizer não, e que há alturas em que o não não tem de ser explicado. Mas daí a educar de forma ditatorial vai uma grande distância...

Acho que nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Anónimo disse...

"O" jornalista sou eu, "a" jornalista e estive a reler a entrevista e em lado algum quase que me faltou chamar fascista ao autor do livro Eduacr os Filhos. Fazer perguntas, pôr em causa, questionar não é sinónimo de chamar nomes às pessoas, mas de querer saber mais, de ser esclarecida e esclarecer o leitor. Se se refere à pergunta sobre a extrema-direita, é o próprio autor que faz referência a tal no livro... A teoria de Aldo Nouri não é nova, nem ele é o único a defendê-la. Ele não defende tareias, nem castigos corporais. Como diz na entrevista é preciso educar com firmeza e ternura. Há sempre um equilibrio que é possível para educarmos filhos saudáveis. No fundo, o que ele defende é que não tenhamos medo de sermos pais! Bárbara

Sara disse...

Cara Bárbara

O que eu queria dizer é que o tom utilizado nas suas perguntas por vezes pareceu-me um pouco parcial.

Supertatas disse...

bom, eu acho que o senhor devia dizer ditador e não fascista.
de resto não vi em lado nenhum a apologia da pancadaria :S

ritaR disse...

o meu instinto não concorda com a teoria desta resposta (não li a entrevista). não tendo aprofundado o tema, a verdade é que se ouve várias vezes dizer que os filhos tendem a repetir padrões. mesmo sabendo não ter sido felizes, repetem a forma que conhecem, misturada obviamente com a sua visão e tentativa esforçada por serem melhores.
agora parece-me é que se confunde democracia com rebaldaria. mesmo estabelecendo paralelo com sistemas políticos, escolha que eu não faria, na democracia há muitas regras, cargos, responsabilidades, punições, trabalho conjunto, ditadura da maioria, etc. td isto cabe a democracia.

Supertatas disse...

"Pais demissionários, filhos caprichosos."

"Desde sempre e em todas as civilizações, era o filho que fazia tudo para agradar aos pais e ganhar-lhes o respeito. Mas, desde que passou a ter atenção em demasia, a criança deduziu que estava numa posição em que não precisava de dominar os seus impulsos. E com a demissão dos pais, ela multiplica os seus caprichos."

"Hoje, muitas instituições (escolas) comportam-se como se não tivessem alunos mas clientes. E uma criança que consegue tudo sem sequer pedir,vai continuar à espera de receber o que quer, sem qualquer esforço."

(Sobre a dificuldade dos pais em dizer "não") "Prende-se com o facto de terem adoptado uma atitude completamente diferente da que tinham para com eles, quando eram crianças. A sua sensibilidade aos direitos que ganharam com a democracia fizeram-nos rejeitar o modelo baseado na autoridade e acreditar que a criança precisa apenas de amor para crescer. Chegam a pensar que dizer "não" é um resquício do autoritarismo que antes condenaram. Só que, com isso, deixaram o seu filho entregue à tirania das suas pulsões, sem saber como combatê-las. Fará o seu caminho com atitudes cada vez mais provocatórias. E, afinal, os pais podem, e devem, dizer "não", sem ter de explicar tudo e mais alguma coisa."

(Afastando qualquer regresso aos castigos corporais) "O castigo é o meio pelo qual a criança aprende a reprimir os seus impulsos e permite-lhe comparar a falta de prazer resultante de fazer algo que não está certo com o prazer que decorre de fazer algo bom. É um indicador do limite até onde pode ir."

São trechos da entrevista a Aldo Naouri publicada na Visão nº 837, de 19 a 25 de Março, onde parece bem menos inflamado que nesta do público.

ritaR disse...

já "todos" dizemos que "não". acho que já todos, nesta geração, percebemos a importância do "não". há umas semanas ouvi o daniel sampaio a dizer que, agora, é preciso não esquecer que também é importante dizer "sim", ser positivo e construtivo.
é o equilíbrio que se deseja, como é óbvio para mim.

Supertatas disse...

bom senso : )

Joana disse...

Nós costumamos dizer: Por cada não há um sim. Nada melhor que o oposto para se interiorizar um conceito. Assim o fizemos com a R. desde bebe. è das crianças mais obedientes que conheço, e sabe que quando eu digo não, é mesmo não. Quanto ao pediatra, não podia discordar mais com ele... Mas sempre provoca discussão, o que me parece sempre saudável.

Gaivota disse...

Eu não acredito em fórmulas únicas que servem para todos. Somos todos diferentes e os miúdos também. E não me agrada nada falar-se em tirania e democracia quando se está a falar em educação.

Por princípio sou contra a permissividade parva e irresponsável, do dizer que sim porque é mais fácil, porque já não se sabe contrariar, para evitar a birra.

Mas cada vez me parece mais que cada criança, com a sua unicidade própria, leva a uma necessidade educativa diferente. E também temos que ter em conta as idades em que eles estão. Se já percebem as razões dos nãos e dos sins, etc. Saber dizer que não a um filho é complicado, educar não é pêra doce, mas tem de ser e eu digo os nãos que entendo que ele merece e que precisa de ouvir. Mas faz-me espécie essa do não porque eu é que mando que eu tantas vezes ouvi. Não pedir desculpa a um filho? Não explicar? Um pai não é dono da verdade e pedir desculpa a um filho também é uma forma de ensinar a admitir um erro.

E aqueles muitos casos em que filhos de pais tiranos ficam ainda mais rebeldes e por necessidade de se revoltarem só fazem disparates atrás de disparates na vida?

Para mim a base da educação é muito amor e segurança e claro, a velha máxima dos actos terem uma consequência.

Sinceramente também já ando sem grande paciência para estes senhores doutores.

Cada um sabe de si e dos seus.

(Esta é uma cópia de um comentário que fiz noutro blog acerca do mesmo artigo)

gralha disse...

O que é preciso é equilíbrio! Nem permissividade ao desbarato, nem achar que só porque amamos e acarinhamos está tudo resolvido.

BabyJust disse...

Adorei o post e a entrevista, concordo tanto com esse senhor sábio (nem tudo, mas em tudo na vida é assim) Educo o meu filho na base do amor, mas também com o sentido de obediencia e principalmente respeito pelos outros, ele nao faz tudo o que quer, mas tenho a certeza absoluta, ele o mostra, que é uma crianca incrivelmente feliz..... sei que só o irá ajudar no futuro, o nao é uma palavra muito importante para aprender e será mais fácil para ele aprender agora do que mais tarde!!!!!!
Parabéns pelo post
Beijokas
Patrícia