segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

O que não dizer a uma grávida - Parte II


A tasca onde almoço todos os dias desde o ano de 1998 caracteriza-se pela familiariadade entre os seus comensais pelo que, não foi com surpresa que hoje, ao reparar que não tinha mesa, um habitué perguntou se eu não me queria sentar na mesa ao lado da dele, que tinha apenas dois lugares. Agradeci a gentileza e acomodei a barriga o melhor que pude enquanto esperava pela minha amiga Catarina, que chegou passados uns minutos.

O senhor, na casa dos 50 anos, baixinho e careca de mariconera* em punho, começou a meter conversa connosco a propósito, claro, da minha barriga.


- Então o bebé está numa posição dificil hein?
(eu assenti, sorrindo)
- É o primeiro ? A senhora ainda é nova...é que os primeiros às vezes são complicados...
- É o primeiro sim (sorrindo, desta vez de forma mais amarelada, antevendo o tema que aí vinha).
- Sabe, quem está ligado a estas coisas dos hospitais vê de tudo: malformações, nados mortos... ainda no outro dia houve uma rapariga que já ia para ter o bebé e nasceu morto.
(a minha amiga) - POIS, mas se calhar não é a MELHOR altura para pensar nessas coisas!!!!!

Foi nesta altura que fingi receber uma chamada no telemóvel. Ou atendia a chamada imaginária ou dava um soco ao meu interlocutor forçado e dizia-lhe para ele ir pregar as suas desgraças para outra freguesia.

*mariconera - pastinha em miniatura que normalmente é utilizada pelos homens como o descrito aqui, debaixo do braço a aconchegar o jornal Record.

2 comentários:

muana disse...

:/
devias ter-lhe dado com a mariconera na careca

farrolas disse...

a conversa que puxa para a desgraça, essa instituição tão portuguesa, fónis! .-|